Saiba o que é a “regeneração”, conceito que pode ser a vantagem competitiva das empresas no futuro

Mudanças climáticas, conflitos geopolíticos, desigualdade social crescente e os impactos acelerados das novas tecnologias têm ampliado as incertezas sobre o futuro. Esse cenário, definido por especialistas como “permacrise”, serve de base para a reflexão proposta no livro Regeneração: O Futuro da Comunidade em um Mundo de Permacrise, lançado no Brasil pela consultoria Bip.

Escrita por Philip Kotler, Christian Sarkar e Enrico Foglia, a obra reúne uma análise crítica dos atuais modelos de desenvolvimento e propõe uma transformação estrutural na forma como empresas, governos e sociedade se relacionam com a economia, o meio ambiente e as comunidades.

Superação dos limites da sustentabilidade

Ao longo do livro, os autores argumentam que a agenda tradicional da sustentabilidade já não é suficiente para responder à profundidade dos desafios contemporâneos. Segundo eles, grande parte das iniciativas empresariais e institucionais ainda se concentra na mitigação de impactos negativos, sem questionar os mecanismos que produzem os problemas ambientais e sociais.

Como alternativa, a obra apresenta o conceito de regeneração, uma abordagem que busca restaurar, fortalecer e ampliar as condições necessárias para o florescimento da vida em suas diferentes dimensões.

A proposta está estruturada em quatro pilares — proteger, reparar, investir e transformar — aplicados a nove áreas consideradas essenciais para a reorganização da sociedade: economia, natureza, trabalho, cultura, tecnologia, política, mídia, direito e relações sociais.

Empresas devem gerar valor para comunidades

Um dos pontos centrais do livro é a revisão do papel das empresas na sociedade. Para os autores, o sucesso corporativo não deve ser medido apenas pelo retorno financeiro aos acionistas, mas também pelo impacto positivo gerado nos territórios, nas comunidades e nos ecossistemas.

Essa visão é traduzida no chamado Modelo de Negócio Regenerativo de Duplo Ciclo. Diferentemente dos modelos tradicionais, a proposta amplia o conceito de criação de valor ao considerar a comunidade beneficiária como um dos principais destinatários das estratégias empresariais.

Segundo os autores, empresas capazes de gerar benefícios sociais e ambientais consistentes tendem também a fortalecer sua capacidade de crescimento econômico no longo prazo.

Aplicação prática da regeneração

Para demonstrar que o conceito pode ser aplicado na prática, o livro reúne experiências desenvolvidas em diferentes partes do mundo.

Entre os exemplos apresentados estão projetos de revitalização urbana em Palermo, na Itália, e em Eskişehir, na Turquia. No Brasil, a Natura é citada como referência pela integração entre atividade econômica, conservação ambiental e valorização dos recursos naturais e sociais da Amazônia.

Os casos ilustram como a lógica regenerativa pode ser incorporada tanto por governos quanto por organizações privadas na construção de modelos mais resilientes e conectados às necessidades dos territórios.

Liderança regenerativa exige visão de longo prazo

A publicação também dedica espaço ao perfil do chamado líder regenerativo. Em oposição aos modelos tradicionais de gestão centrados no controle e na hierarquia, essa liderança é caracterizada pela transparência, responsabilidade compartilhada e capacidade de compreender os impactos de suas decisões sobre pessoas e ecossistemas.

Os autores defendem que líderes preparados para enfrentar os desafios da permacrise precisam manter uma conexão direta com a realidade dos territórios e atuar com visão de longo prazo.

Debate vai além da gestão empresarial

Mais do que apresentar ferramentas de gestão ou estratégias corporativas, Regeneração propõe uma reflexão mais ampla sobre os fundamentos que sustentam a sociedade contemporânea.

A obra questiona se os desafios do século XXI poderão ser solucionados por meio de ajustes graduais no modelo atual ou se será necessária uma transformação mais profunda das estruturas econômicas, institucionais e culturais que orientam o desenvolvimento global.

Para Enrico Foglia, diretor de Sustentabilidade da Bip e coautor do livro, a regeneração representa um passo além da sustentabilidade tradicional.

Segundo ele, organizações verdadeiramente regenerativas não existem apenas para reduzir danos, mas para ampliar a vida, fortalecer relações de confiança e deixar um legado positivo para as próximas gerações.

Quem são os autores

Philip Kotler – Reconhecido mundialmente como uma das maiores referências em marketing estratégico, é autor de mais de 90 livros e professor emérito da Kellogg School of Management.

Christian Sarkar – Consultor, artista e editor do Marketing Journal, atua em projetos relacionados a ativismo de marca e transformação de sistemas sociais e econômicos.

Enrico Foglia – Consultor de marketing e sustentabilidade, professor da Universidade LUISS, em Roma, e diretor de Sustentabilidade da Bip.

Serviço – Livro: Regeneração: O Futuro da Comunidade em um Mundo de Permacrise

Autores: Philip Kotler, Christian Sarkar e Enrico Foglia
Editora: Print Livros
Páginas: 286
Lançamento: 23 de junho de 2026
E-book: gratuito no site do Regenerative Marketing Institute

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