Importante debate sobre paternidade e saúde emocional masculina

Até ontem, domingo marcado pela comemoração do Dia dos Pais, as campanhas comerciais invadiram nosso cotidiano no incentivo pela escolha do melhor presente para o pai herói de cada um. Para a organização Homens Que Cuidam, porém, o período também pode servir como ponto de partida para uma discussão mais ampla sobre o papel dos homens na família, nas relações e na sociedade.

A proposta é colocar em evidência temas como paternidade ativa, saúde emocional masculina, corresponsabilidade familiar e prevenção das violências. A iniciativa parte de uma pergunta que ultrapassa a celebração da data: que tipo de pai — e de homem — está sendo formado pela sociedade?

É nesse contexto que a organização promove a campanha “Mês dos Pais – Pai é quem cuida”, voltada à construção de uma cultura do cuidado. A proposta é deslocar a ideia tradicional do “pai herói”, associado principalmente ao provimento financeiro, para uma compreensão de paternidade baseada em presença, afeto, responsabilidade e participação cotidiana.

Paternidade também envolve saúde emocional masculina

A discussão sobre paternidade está diretamente relacionada à maneira como os homens são educados para lidar com emoções, pedir ajuda e estabelecer vínculos.

Para Lincoln Tavares de Melo, jornalista, educador social, ativista de direitos humanos e fundador da Homens Que Cuidam, falar sobre pais significa também discutir como os homens aprendem a cuidar de si e das pessoas ao redor.

A organização defende que o cuidado não deve ser compreendido como uma atribuição feminina, mas como uma competência humana que pode ser desenvolvida ao longo da vida.

A própria atuação da organização Homens Que Cuidam reúne iniciativas relacionadas a masculinidades, paternidade ativa, saúde dos homens, comunicação não violenta, diversidade, equidade e prevenção das violências. O instituto também mantém espaços de diálogo voltados ao desenvolvimento humano masculino e à construção de relações mais saudáveis.

O cuidado como responsabilidade compartilhada

A campanha também coloca em discussão a divisão das responsabilidades dentro das famílias.

Historicamente, tarefas relacionadas à criação dos filhos, à manutenção da casa e ao cuidado de familiares foram associadas principalmente às mulheres. A proposta de ampliar a participação masculina busca justamente questionar essa lógica e estimular a corresponsabilidade.

Nesse sentido, a paternidade ativa não se limita à presença física ou aos momentos de lazer com os filhos. Ela envolve participação nas decisões, acompanhamento da rotina, educação, escuta, disponibilidade emocional e compartilhamento das tarefas de cuidado.

A discussão também alcança o ambiente profissional. Licença-paternidade, políticas de parentalidade e condições para que homens possam exercer o cuidado são alguns dos temas que passam a fazer parte dessa agenda.

Por que falar sobre masculinidades?

Para a organização Homens Que Cuidam, discutir masculinidades é também discutir saúde pública, relações familiares e prevenção das violências.

A organização aponta desafios relacionados ao sofrimento emocional masculino, ao abandono paterno, à sobrecarga feminina com o trabalho de cuidado e à violência contra mulheres. A proposta é trabalhar esses assuntos antes que eles se transformem em consequências mais graves.

A ideia também está presente nos projetos desenvolvidos pela instituição, que atua com homens, empresas, organizações e governos em iniciativas relacionadas à saúde dos homens, parentalidade ativa, equidade de gênero e cultura do cuidado.

Lincoln Tavares participou do Juntas e Geniosas

O debate sobre novas masculinidades e cultura do cuidado também já esteve presente no Juntas e Geniosas, programa que reuniu Lincoln Tavares de Melo para discutir questões relacionadas aos homens, às relações e às transformações necessárias na forma de compreender o cuidado.

A participação reforça uma das principais questões defendidas pelo fundador. Para ele, falar sobre homens não significa retirar o protagonismo das mulheres nas discussões sobre desigualdade de gênero, mas compreender que a transformação das relações também exige mudanças na maneira como os homens são educados e socializados.

Agosto como oportunidade para discutir novas paternidades

Durante o mês dos Pais, a organização Homens Que Cuidam pretende ampliar as ações educativas em empresas, escolas, universidades, organizações da sociedade civil e órgãos públicos.

A organização também trabalha com programas direcionados a jovens e homens adultos, além de iniciativas voltadas às lideranças e às instituições. Entre os objetivos está criar espaços para que os homens possam refletir sobre seus relacionamentos, emoções, responsabilidades e formas de exercer a paternidade.

Da figura do pai provedor ao pai presente

A transformação proposta pela campanha passa por uma mudança de referência.

Em vez de valorizar exclusivamente o homem como provedor, a ideia é reconhecer também o pai que acompanha consultas, participa da educação dos filhos, divide tarefas domésticas, conversa sobre sentimentos e está disponível para exercer o cuidado no cotidiano.

Essa mudança não beneficia apenas as crianças. Também pode contribuir para relações familiares mais equilibradas e para que os próprios homens tenham maior espaço para desenvolver vínculos afetivos e reconhecer suas necessidades emocionais.

Para a Homens Que Cuidam, aprender a cuidar é parte de um processo de desenvolvimento humano. O instituto resume sua proposta em uma ideia central: “Transformar homens é transformar estruturas. Cuidar é político.”

Cultura do cuidado começa antes da paternidade

Ao transformar agosto em um momento de reflexão sobre os homens e suas relações, a campanha amplia o significado do Dia dos Pais.

A proposta é discutir o cuidado não apenas como uma tarefa relacionada à criação dos filhos, mas como uma dimensão das relações humanas. Para isso, entram em pauta saúde emocional, comunicação, divisão das responsabilidades, prevenção das violências e novas formas de compreender o que significa ser homem e pai.

Mais do que criar uma nova imagem de paternidade, a iniciativa pretende estimular uma mudança cultural: homens mais presentes no cuidado consigo mesmos, com os filhos, com suas famílias e com a comunidade.

Assista do programa Juntas e Geniosas com a participação do fundador da organização Homens que Cuidam:

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