O que a Copa do Mundo ensina sobre alta performance e sucesso
O que líderes e profissionais podem aprender com a principal competição do futebol mundial? A resposta passa menos pelo talento individual e mais pela capacidade de formar equipes engajadas, tomar decisões sob pressão e desenvolver competências que permitam crescer em um mercado cada vez mais volátil. Esses foram alguns dos temas discutidos por Gustavo Coimbra, diretor da LHH Recruitment Solutions no Brasil, no episódio 6 da terceira temporada do podcast JG TV, veiculado em 28 de julho de 2026.
Ao fazer uma analogia entre a Copa do Mundo e o ambiente corporativo, o executivo destacou que o sucesso de uma equipe de alta performance depende tanto da seleção dos melhores talentos quanto da capacidade de integrá-los a uma cultura comum e a um propósito compartilhado.
“Quando você olha uma chamada para uma seleção, qualquer que seja a brasileira ou qualquer outra seleção, ela é recrutamento de alta performance”, afirmou Gustavo Coimbra. Segundo ele, o grande desafio da liderança é identificar profissionais que entregam resultados, compreender suas competências comportamentais e criar um ambiente capaz de potencializar a performance coletiva.
Para o especialista, não basta reunir pessoas talentosas em um mesmo time. É preciso desenvolver alinhamento cultural, engajamento e objetivos claros. Um dos fatores que mais comprometem a performance é a desconexão entre o propósito individual e o propósito do grupo.
“Todo mundo, por mais que tenha alta performance, tem que ter o desejo e o propósito de conseguir e querer continuar entregando mais resultado”, explicou.
Protagonismo da carreira
A conversa também trouxe uma reflexão importante sobre a transformação do mercado de trabalho. Se, no passado, as organizações eram responsáveis por desenhar praticamente toda a trajetória profissional dos colaboradores, hoje esse papel passou a ser compartilhado.
Segundo Gustavo Coimbra, o profissional precisa assumir o protagonismo da própria carreira, definindo seus objetivos, identificando competências que precisam ser desenvolvidas e buscando constantemente novos aprendizados.
“O mercado hoje exige do profissional, da liderança, que ele seja o dono da sua carreira, o protagonista da sua carreira”, afirmou.
Na prática, isso significa compreender quais são as próprias fortalezas, reconhecer limitações e fazer escolhas alinhadas aos objetivos pessoais e profissionais. O autoconhecimento, na avaliação do executivo, tornou-se uma competência indispensável em qualquer estágio da carreira.
“Esse diagnóstico do autoconhecimento é essencial em qualquer etapa”, destacou.
Liderar exige decidir em meio à incerteza
Outro aprendizado extraído do esporte está relacionado à tomada de decisão. Em um jogo de futebol, não existe tempo suficiente para analisar todos os cenários possíveis antes de agir. No mundo corporativo, a lógica é semelhante.
Gustavo Coimbra observa que a velocidade das transformações tecnológicas e do mercado tornou praticamente inviável a construção de planejamentos rígidos de longo prazo. A liderança contemporânea precisa tomar decisões rápidas mesmo sem ter acesso a todas as informações disponíveis.
“Eu preciso decidir hoje mesmo não tendo todas as informações necessárias, mesmo tomando muito mais risco do que eu tomava no passado”, explicou.
Nesse contexto, o papel do líder vai além do conhecimento técnico. Ele precisa comunicar objetivos com clareza, adaptar sua forma de engajar diferentes perfis profissionais e compreender que as motivações são individuais.
“Mesmo tendo time de alta performance, cada um vai precisar receber nível de comunicação e ser impactado de uma maneira diferente pela motivação”, afirmou.
Insatisfação é resultado de um conjunto de fatores
Durante o episódio, um dado chamou atenção: cerca de 60% dos profissionais atendidos pela LHH demonstram intenção de mudar de emprego. O índice está concentrado, principalmente, em especialistas, coordenadores e executivos seniores.
Na avaliação do especialista, essa insatisfação é resultado de um conjunto de fatores que vêm transformando o mercado de trabalho simultaneamente. Entre eles estão a rápida adoção da inteligência artificial, a convivência entre diferentes gerações nas empresas, a hiperconectividade e os desafios impostos pelos modelos híbridos e remotos de trabalho.
Além disso, a comparação constante proporcionada pelas redes sociais tem contribuído para aumentar a ansiedade profissional e gerar a percepção de que sempre existe uma oportunidade melhor em outro lugar.
“Está faltando um pouco mais de organização do protagonismo de carreira, do meu entendimento daquilo que eu quero, do que eu faço bem”, avaliou Gustavo Coimbra.
A resiliência tornou-se uma competência estratégica
Se antes o líder era visto como um gestor de tarefas, hoje ele precisa atuar como desenvolvedor de talentos, mediador de conflitos e referência cultural dentro das organizações.
Essa transformação exige uma competência cada vez mais valorizada: a resiliência. Segundo Gustavo Coimbra, liderar significa absorver pressões, adaptar mensagens e criar ambientes capazes de manter equipes motivadas mesmo em cenários desafiadores.
“Ser resiliente é a capacidade de você sofrer pressão e voltar”, afirmou.
O executivo também chamou atenção para um fenômeno comum nas posições de liderança: a solidão profissional. Quanto mais altos são os cargos ocupados, maior tende a ser a necessidade de buscar apoio externo, seja por meio de mentorias, networking ou trocas com outros profissionais.
Inteligência emocional e aprendizado contínuo são diferenciais competitivos
No futebol moderno, a presença de psicólogos esportivos tornou-se uma prática consolidada. Nas empresas, o movimento é semelhante. A inteligência emocional passou a ser vista como uma competência essencial para lidar com erros, frustrações e mudanças constantes.
“O mais importante é eu conseguir errar e rapidamente superar”, destacou Gustavo Coimbra ao comentar a importância do autoconhecimento e do desenvolvimento contínuo da liderança.
Para ele, profissionais e líderes precisam abandonar a ideia de que a experiência acumulada, por si só, é suficiente para garantir bons resultados no futuro.
“O que eu chamo de inconformismo construtivo” é, segundo o executivo, uma das competências mais relevantes do mercado atual. Trata-se da capacidade de desaprender práticas antigas, aprender rapidamente novas habilidades e manter-se aberto a diferentes perspectivas.
Alta performance é uma construção permanente
As lições da Copa do Mundo reforçam que equipes vencedoras não são formadas apenas por grandes talentos individuais. No ambiente corporativo, a lógica é a mesma. Alta performance depende de propósito, protagonismo, capacidade de adaptação e desenvolvimento contínuo.
Em um mercado marcado pela volatilidade, talvez a maior habilidade de líderes e profissionais seja justamente manter-se em constante evolução. Afinal, tanto no futebol quanto na carreira, quem para de aprender dificilmente permanece competitivo.
Assista ao programa na íntegra:
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