56% dos trabalhadores não recebem benefício para aposentadoria

Enquanto benefícios como vale-refeição, plano de saúde e auxílio home office figuram entre os mais valorizados pelos trabalhadores, iniciativas voltadas à preparação para a aposentadoria ainda permanecem fora da realidade da maior parte dos profissionais brasileiros.

Um levantamento da consultoria Robert Half aponta que 56% dos trabalhadores empregados não recebem qualquer benefício relacionado ao planejamento financeiro para a aposentadoria, evidenciando um espaço importante para a ampliação desse tipo de política nas empresas.

Os dados fazem parte da 7ª edição da Pesquisa de Benefícios da Robert Half e indicam que pouco mais de quatro em cada dez profissionais contam com algum tipo de suporte voltado ao futuro financeiro.

Entre as iniciativas mais presentes estão os planos de previdência complementar patrocinados pelas empresas, oferecidos a 34% dos entrevistados, seguidos pelos programas de contribuição paritária para previdência privada, conhecidos como matching, disponíveis para 19%. Já ações de educação financeira ou consultoria especializada alcançam apenas 12% dos profissionais.

Longevidade aumenta importância do planejamento financeiro

O levantamento ganha relevância em um contexto de aumento da expectativa de vida da população brasileira. Segundo dados do IBGE citados pela pesquisa, os brasileiros vivem, em média, 76,6 anos, realidade que amplia o período de permanência no mercado de trabalho e reforça a necessidade de planejamento financeiro para garantir estabilidade na aposentadoria.

Para o vice-presidente de Parcerias Estratégicas da Robert Half, Alexandre Attauah, o debate sobre benefícios corporativos ainda prioriza demandas imediatas dos colaboradores, deixando em segundo plano iniciativas voltadas ao longo prazo.

“A discussão sobre benefícios costuma estar concentrada em demandas mais imediatas do dia a dia dos colaboradores. No entanto, à medida que a população envelhece e as carreiras se estendem, temas relacionados ao planejamento financeiro de longo prazo passam a ocupar um espaço maior nas expectativas dos profissionais”, afirma Alexandre Attauah.

Benefícios podem fortalecer estratégia de retenção de talentos

Além de contribuir para a segurança financeira dos trabalhadores, programas de apoio à aposentadoria também podem representar um diferencial competitivo para as empresas na atração e retenção de profissionais.

De acordo com a Robert Half, benefícios dessa natureza tendem a ser especialmente valorizados por profissionais mais experientes, que acumulam conhecimento técnico, histórico institucional e funções estratégicas dentro das organizações.

Educação financeira pode ser o primeiro passo

Segundo Alexandre Attauah, implantar políticas voltadas ao planejamento para a aposentadoria não depende necessariamente de grandes investimentos. Ele destaca que ações de educação financeira podem servir como porta de entrada para programas mais estruturados no futuro.

“Muitas empresas associam o tema exclusivamente a programas estruturados de previdência, mas existem iniciativas mais acessíveis que podem gerar valor para os profissionais. Ações de educação financeira e preparação para a aposentadoria, por exemplo, ajudam a desenvolver uma visão de longo prazo e podem ser o primeiro passo para políticas mais robustas no futuro”, conclui.

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