Ricardo Côrte Real relembra bastidores da TV e trajetória na comunicação

take episódio Renato Côrte Real

Ator, apresentador, radialista, músico e executivo de mídia, Ricardo Côrte Real revisitou momentos importantes de sua trajetória na comunicação e comentou as transformações da televisão no Brasil. Em conversa que saiu da JG TV, ele falou sobre bastidores da TV, a chegada da MTV ao país e a diferença entre celebridade e artista.

A trajetória de Ricardo Côrte Real atravessa diferentes fases da comunicação brasileira. Ao longo de décadas, ele atuou como ator, apresentador, radialista, músico e executivo do mercado de mídia. Dessa forma, acompanhou de perto mudanças tecnológicas, culturais e comerciais que marcaram a televisão e outros veículos. Ao mesmo tempo, sua experiência permite observar como arte e mercado muitas vezes caminham juntos no setor da comunicação.

Durante a conversa que saiu da JG TV, Ricardo relembrou o início precoce na televisão e comentou a evolução técnica do meio. Além disso, refletiu sobre o que permanece essencial para quem trabalha com arte e comunicação. Assim, ao reconstruir diferentes momentos da própria carreira, ele também ajuda a compreender as transformações da mídia brasileira ao longo das últimas décadas.

Início precoce marcou a entrada de Ricardo Côrte Real na TV

A relação de Ricardo Côrte Real com a história da TV brasileira começou ainda na infância. Aos 9 anos, ele passou a integrar o programa “Papai Sabe Nada”, exibido pela Record nos anos 1960. Segundo ele, a participação surgiu depois de insistir com o pai, Renato Côrte Real, responsável pela atração.

“Eu tinha nove anos e comecei a dizer: ‘Eu quero ser seu filho na televisão’. Pedi tanto que ele acabou me dando um texto para testar”, contou. Naquele período, a televisão brasileira ainda estava em fase de estruturação. Por um lado, grande parte da programação era transmitida ao vivo; por outro, os recursos técnicos eram bastante limitados.

Ricardo lembra que o videotape começava a surgir naquele momento e exigia processos bastante rudimentares. “Era uma máquina gigantesca. A fita era enorme e a edição era feita com gilete. Era um processo extremamente manual.” Além disso, parte da memória daquele período acabou se perdendo. Segundo ele, praticamente não existem registros do programa em que atuou na infância. “Não tem nada. Zero. O ‘Papai Sabe Nada’ não existe mais. O ‘Côrte Real Show’ também não. É um legado que se perdeu.”

Televisão mudou, mas não desapareceu

Ao comentar as transformações da mídia, Ricardo afirma que a televisão passou por mudanças naturais ao longo das décadas. De acordo com ele, a evolução dos meios de comunicação segue um padrão histórico. Ou seja, novos formatos surgem, mas os anteriores não desaparecem necessariamente.

“Quando surgiu o cinema falado, disseram que ia acabar com o cinema mudo. Depois disseram que o rádio ia acabar com a televisão. Nada disso aconteceu”, afirmou. Nesse sentido, o que ocorreu foi uma ampliação das plataformas e das formas de consumo. Atualmente, o conteúdo audiovisual está presente em diferentes telas, do celular ao computador.

“Hoje a televisão está no celular, no computador, em todo lugar. O que aconteceu foi uma pulverização.” Por outro lado, ele reconhece que a experiência mudou. A televisão ao vivo, por exemplo, criava uma tensão e uma adrenalina diferentes da lógica atual de produção e distribuição de conteúdo. “Antes havia aquela adrenalina da televisão ao vivo. Hoje existe muito mais tecnologia, mas também muito mais dispersão.”

Humor enfrenta novo ambiente cultural

Além da evolução tecnológica, Ricardo também comentou as mudanças culturais que impactam a produção de humor. Segundo ele, o ambiente atual é mais sensível a críticas públicas e a debates sobre politicamente correto. Nesse contexto, ele acredita que o bom senso deveria ser o principal parâmetro para lidar com essas tensões.

“Eu acho que existe uma coisa que devia nortear tudo: o bom senso. O politicamente correto virou, muitas vezes, uma patrulha.” Ainda assim, ele faz uma distinção clara entre liberdade artística e discurso de ódio. Para ele, as duas coisas não devem ser confundidas. “O ódio é ruim. Isso não tem justificativa. Agora, a arte precisa continuar existindo.”

Versatilidade marcou a carreira na comunicação

Ao longo da carreira, Ricardo construiu uma trajetória marcada pela versatilidade. Além de atuar diante das câmeras, ele também trabalhou em áreas comerciais e estratégicas de veículos de comunicação. Nesse percurso, passou por emissoras como Globo, Manchete e Band, além de atuar no mercado editorial e na publicidade.

Em diversos momentos, participou do lançamento ou da reestruturação de projetos de mídia. Segundo ele, muitas dessas oportunidades surgiram de forma inesperada. “Eu nunca pedi emprego para ninguém. As pessoas me chamavam. Diziam: ‘Vem aqui, queremos você nesse projeto’.” Assim, essa combinação entre experiência artística e visão de mercado fez com que transitasse entre bastidores e palco, entre gestão e criação.

Chegada da MTV representou novo momento da televisão

Entre os episódios lembrados por Ricardo está sua participação na estruturação comercial da MTV Brasil. O convite surgiu antes mesmo da estreia da emissora no país, no início dos anos 1990. Naquele momento, o projeto ainda era visto com cautela pelo mercado publicitário, já que a proposta da emissora era inovadora e apostava fortemente em música, videoclipes e cultura pop.

“Eles me disseram: ‘Perguntamos no mercado quem tem a cara da MTV. E as pessoas falaram que é você’.” Assim, o desafio inicial era convencer anunciantes a investir em um formato novo. “Nós tínhamos que vender cinco cotas grandes de patrocínio. E não tinha nada vendido ainda”, lembrou. Apesar disso, a MTV Brasil acabou se consolidando como um marco da cultura pop e da televisão jovem no país.

Rádio trouxe outra experiência de comunicação

Posteriormente, depois da televisão e da publicidade, o rádio também ganhou espaço na trajetória de Ricardo. Ele apresentou programas na Kiss FM e, mais tarde, na Rádio USP, onde comandou atrações dedicadas ao blues e ao jazz. Segundo ele, o rádio oferece uma experiência bastante particular para quem trabalha com comunicação, justamente porque estabelece uma relação mais direta com o público.

“Quem vai para o rádio se apaixona. É um veículo incrível.” Além disso, o meio também reforçou sua ligação com a música, que sempre esteve presente em sua vida.

Música permanece como eixo da trajetória

Embora tenha se tornado conhecido na televisão, Ricardo afirma que a música sempre foi uma constante em sua carreira. Desde jovem, ele toca instrumentos e participa de projetos musicais. “A música nunca me abandonou. Mesmo quando eu estava em outras áreas, ela sempre estava comigo.”

Com o passar do tempo, essa relação se expandiu. Além de apresentações, ele também compôs trilhas para peças de teatro e participou de diferentes formações musicais. Atualmente, continua se apresentando e mantendo a música como parte ativa de sua rotina artística.

Celebridade e artista são coisas diferentes

Por fim, ao refletir sobre o cenário atual da comunicação, Ricardo destacou a diferença entre celebridade e artista. Para ele, a visibilidade pública não deve ser confundida com o processo de criação.

“Muita gente quer ser artista para ser conhecida. O artista de verdade quer fazer arte.” Segundo ele, a fama pode surgir como consequência do trabalho, mas não deveria ser o objetivo principal. “Se você sente que está fazendo algo que vem do seu coração, isso já tem valor.”

Assim, embora reconheça que as novas plataformas ampliaram as oportunidades para criadores, ele acredita que a essência artística continua sendo o elemento central. “Hoje existem milhares de vitrines. Isso é bom. Mas o que não pode se perder é a essência.”

Dessa forma, a conversa que saiu da JG TV revela não apenas a trajetória de um profissional versátil, mas também um retrato das transformações da mídia brasileira ao longo das últimas décadas.


Assista ao episódio completo:

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