Empreendedorismo feminino rompe barreiras no setor masculino
O empreendedorismo feminino brasileiro já representa uma parcela significativa dos negócios no país, mas transformar uma empresa em uma operação de grande porte ainda é um desafio para muitas mulheres.
É nesse cenário que a trajetória de Bruna Reis se destaca. A executiva construiu do zero uma companhia especializada em urgência, emergência e atendimento pré-hospitalar e hoje lidera uma operação com mais de 8 mil profissionais no Brasil e na Europa.
A empresa atua em serviços de emergência em 54 aeroportos e 14 rodovias, em um segmento marcado pela alta complexidade operacional e historicamente ocupado majoritariamente por homens.
Barreiras para crescer
Dados apresentados pelo Grupo Med mostram que o Brasil possui 10,4 milhões de mulheres empreendedoras, número equivalente a 34% dos donos de negócios do país. Desse total, cerca de 5,42 milhões são responsáveis pela principal renda de suas famílias.
Apesar da presença crescente das mulheres no empreendedorismo, os obstáculos aumentam quando o objetivo é expandir os negócios. O acesso ao crédito, a construção de redes de influência, a conquista de grandes contratos e a participação em espaços de decisão ainda estão entre os desafios enfrentados por empreendedoras.
No cenário internacional, mulheres ocupam 32,9% dos cargos de alta liderança em empresas de médio porte. A presença feminina também permanece menor em áreas de maior complexidade operacional, como infraestrutura, transporte, saúde e serviços emergenciais.
É justamente nesse ambiente que a trajetória de Bruna Reis ganha destaque.
Trajetória inspiradora
Antes de ocupar a posição de CEO, a Bruna Reis participou diretamente das diferentes etapas de desenvolvimento da companhia. A trajetória envolveu a formação das primeiras equipes, a estruturação dos protocolos iniciais e o acompanhamento da conquista dos contratos que sustentaram a expansão da operação.
O crescimento aconteceu em um setor no qual a capacidade de resposta, o cumprimento de protocolos e a coordenação entre diferentes profissionais são elementos essenciais. Os serviços prestados pela empresa estão relacionados a situações de urgência e emergência, nas quais decisões precisam ser tomadas com rapidez e precisão.
“Eu não cheguei ao comando de uma empresa pronta. Participei da construção de cada etapa, enfrentei a resistência de um mercado ainda muito masculino e precisei provar, repetidas vezes, que uma mulher poderia liderar operações de grande escala e alta responsabilidade”, afirma Bruna.
Segundo a executiva, a expansão exigiu preparação e capacidade de lidar com um ambiente no qual a presença feminina ainda encontra resistência.
Liderança feminina ganha espaço em setor masculino
A experiência de Bruna Reis também evidencia uma mudança que ultrapassa o crescimento de uma única empresa. Ao assumir a liderança de uma operação de grande escala, a executiva passa a ocupar um espaço tradicionalmente associado aos homens.
A presença feminina em posições de comando pode contribuir para ampliar as referências disponíveis para outras profissionais e empreendedoras que desejam atuar em segmentos técnicos e de alta responsabilidade.
Para Bruna, o impacto da trajetória está justamente na possibilidade de ampliar essas referências.
“O verdadeiro impacto está em mostrar que mulheres podem criar, liderar e expandir empresas em qualquer setor, inclusive nos mais técnicos e historicamente fechados à nossa presença”, afirmD.
Dimensão empresarial
Atualmente, a companhia liderada por Bruna Reis reúne mais de 8 mil profissionais no Brasil e na Europa. A operação está presente em 54 aeroportos e 14 rodovias e envolve equipes multidisciplinares preparadas para atuar em serviços de urgência, emergência e atendimento pré-hospitalar.
Além da dimensão empresarial, a expansão da companhia representa a criação de milhares de oportunidades de trabalho e o desenvolvimento de profissionais especializados.
A atuação em aeroportos, rodovias e grandes operações logísticas também amplia a presença de estruturas de atendimento emergencial em locais de grande circulação de pessoas.
A trajetória da executiva mostra, assim, que o avanço do empreendedorismo feminino não está apenas na criação de novos negócios, mas também na capacidade de transformar empresas em operações de grande porte, gerar empregos e disputar mercados historicamente dominados por homens.
“Quando uma mulher ocupa esse espaço com resultado, ela não avança sozinha. Ela amplia a percepção do que outras mulheres também podem construir e deixa um caminho mais aberto para quem vem depois”, conclui Bruna Reis.
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